LogoPortal Juti

Hospital Regional de Três Lagoas realiza captações e já atinge metade do total de 2025

Unidade de Três Lagoas fortalece captação e amplia impacto na fila de transplantes de MS

29/04/2026 às 09:53
Por: Redação

A atuação do Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, administrado em parceria com o Instituto Acqua e a Secretaria de Estado de Saúde (SES), tem promovido avanços significativos na captação de órgãos em Mato Grosso do Sul. Até o momento, a unidade localizada em Três Lagoas contabiliza duas captações somente neste ano, o que corresponde à metade do total registrado durante o ano anterior.

 

Desde a implementação do serviço, em maio do ano passado, o hospital alcançou a marca de seis procedimentos de captação de órgãos. Em 2025, foram realizados quatro procedimentos em oito meses. Já em 2026, ocorreram duas captações nos dias 17 e 25 de fevereiro, ambas a partir de doadores residentes na região da Costa Leste: um homem de 32 anos e uma mulher de 53 anos. Nessas ocasiões, foram captados rins, posteriormente encaminhados para pacientes em lista de espera por transplante no estado de Mato Grosso do Sul.

 

Novo cenário para transplantes e logística integrada

 

O processo que envolve a captação de órgãos é resultado da mobilização e colaboração entre as equipes hospitalares e a Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso do Sul (CET/MS). O cirurgião Gustavo Rapassi, especialista em transplantes hepáticos e pancreáticos e responsável pela equipe naquela unidade, enfatiza que o início de todo o procedimento ocorre dentro do próprio hospital.

 

“A dinâmica da doação parte da notificação da morte pela equipe hospitalar. Essa informação é encaminhada para a OPO (Organização de Procura de Órgãos) e, em seguida, para a CET/MS, que coordena todo o processo. Após a autorização da família, iniciamos uma série de avaliações até a captação”, explica.

 

O médico também ressalta que o êxito dos transplantes depende da rapidez e sintonia entre os profissionais envolvidos. Segundo ele, o suporte logístico, incluindo transporte aéreo, é fundamental para diminuir o tempo total do procedimento e garantir a qualidade dos órgãos. Esse aspecto, conforme destacado por Rapassi, contribui de forma decisiva para o salvamento de vidas.

 

Entre a chegada da equipe da Central de Transplantes ao hospital em Três Lagoas e o retorno a Campo Grande, todo o procedimento costuma durar cerca de quatro horas. Esse período abrange o deslocamento até o hospital, a realização da cirurgia de retirada dos órgãos e o retorno ao local onde o transplante será efetuado. Durante esse intervalo, o paciente receptor já se encontra preparado, o que evidencia a importância da agilidade e da eficiência em todas as etapas para o êxito do transplante.

 

Rapassi também chama a atenção para o crescimento da participação dos hospitais do interior do estado nesse tipo de procedimento. Segundo ele, a ida a Três Lagoas pela segunda vez em um período inferior a dez dias representa uma mudança positiva, pois cada vez mais as unidades do interior vêm ganhando destaque tanto na notificação quanto na efetivação de doadores, ampliando assim as perspectivas dos pacientes que aguardam na fila de transplantes.

 

Formação prática acompanha o avanço do serviço

 

Além do impacto direto no número de transplantes, o Hospital Regional também contribui para o desenvolvimento de novos profissionais da área da saúde. No último procedimento realizado, a estudante de medicina Karina Carleto, de 27 anos, natural de Adamantina (SP) e aluna do campus da UFMS em Três Lagoas, participou ativamente da segunda captação, auxiliando na instrumentação cirúrgica.

 

“Foi uma experiência ímpar, algo que eu nunca imaginei vivenciar e ainda poder colaborar. Aqui tive a oportunidade não só de acompanhar, mas de participar ativamente da cirurgia”, relata.

 

Atualmente no sexto ano do curso, Karina destaca que encontrou no hospital um ambiente acolhedor e propício ao aprendizado. Ela ressalta a troca constante de experiências com os profissionais e menciona ter recebido convite para integrar a equipe de captação após a conclusão de sua formação. A vivência despertou ainda mais o interesse da estudante pelo campo cirúrgico e pela atuação em transplantes, área em que pretende construir sua carreira.

 

Investimento em capacitação e expansão do serviço

 

A equipe hospitalar responsável pela identificação de potenciais doadores e pelo acolhimento das famílias, denominada e-DOT (Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes), mantém o compromisso de assegurar um processo ético e seguro em todas as etapas. Como parte dos esforços para aprimorar a atuação, a presidente da e-DOT, enfermeira Laís Silva, participou de 9 a 12 de março de um treinamento para enucleação ocular oferecido pelo Banco de Olhos da Santa Casa de Campo Grande.

 

Essa capacitação habilita profissionais da saúde a realizar a remoção cirúrgica do globo ocular para doação de córneas, procedimento que assegura a integridade do tecido doado. Com isso, a expectativa é que em breve o hospital esteja apto a executar captações de córneas, ampliando as possibilidades de atendimento e contribuindo para a redução da fila de espera por transplantes de córneas em Mato Grosso do Sul.

 

Nos dias 26 e 27 de março, todos os colaboradores da unidade participaram de uma palestra com o tema “Captação, Doação e Transplantes de Órgãos e Tecidos”, ministrada por Rodrigo Silva, enfermeiro da Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso do Sul e especialista no segmento. A atividade integrou as ações voltadas para o aperfeiçoamento contínuo das equipes envolvidas.

 

Laís Silva, presidente da e-DOT, destaca que cada captação realizada é resultado de um trabalho coletivo, iniciado muito antes da cirurgia propriamente dita, e que envolve o acolhimento das famílias, respeito às suas decisões e rigor técnico de todos os integrantes do processo.

 

“Cada captação representa um trabalho coletivo que começa muito antes do centro cirúrgico. Envolve acolhimento às famílias, respeito às decisões e uma atuação técnica rigorosa de toda a equipe. Ver o hospital avançando nesse processo e contribuindo para salvar vidas reforça a importância de fortalecer, cada vez mais, a cultura da doação de órgãos”, destaca.

 

Importância de informar a família sobre a intenção de doar

 

Com o aumento do número de captações realizadas, cresce também a necessidade de promover a conscientização da população sobre a doação de órgãos. No Brasil, é indispensável a autorização da família para que a doação se concretize. Por esse motivo, a principal orientação para quem deseja se tornar doador é comunicar claramente aos familiares sua vontade de realizar a doação de órgãos, ajudando assim a transformar vidas.

 

Fotos: HR3L

© Copyright 2025 - Portal Juti - Todos os direitos reservados